Sola Scriptura na Igreja Primitiva

Publicado em: 13 de setembro de 2019 Por: Rev. Ageu Magalhães

Apologistas romanos frequentemente argumentam que o conceito de Sola Scriptura é uma invenção dos reformadores. Para provar que estão errados, segue abaixo uma série de citações de alguns pais da Igreja, a saber, Cirilo de Jerusalém (313-386), Basílio de Cesaréia (330-379), Agostinho (354-430) e Atanásio (296-373). 

“Com referência aos divinos e sagrados mistérios da fé, nem mesmo a mínima parte deles pode ser transmitida sem as Escrituras Sagradas. Não se deixem levar por palavras sedutoras e argumentos engenhosos. Mesmo com respeito a mim, que lhes digo estas coisas, não se apressem em acreditar, a menos que recebam das Escrituras Sagradas a prova das coisas que lhes anuncio. A salvação em que acreditamos não é provada por raciocínio engenhoso, mas das Escrituras Sagradas.” (Cirilo de Jerusalém, Catechetical Lectum 4:17)

“Os ouvintes ensinados nas Escrituras devem testar o que é dito pelos mestres e aceitar o que se harmoniza com as Escrituras, porém rejeitar o que é estranho.” “E obviamente uma apostasia da fé e uma ofensa atribuída ao orgulho, quer rejeitar qualquer das coisas que estão escritas como introduzir coisas que não estão escritas.” (Basílio de Cesaréia, citado em: William Jurgens, The Faith of the Early Fathers (Collegeville, MN: Liturgical Press, 1979), 11:24.

“Há, irmãos, um só Deus, a respeito do qual recebemos conhecimento das Escrituras Sagradas e de nenhuma outra fonte. Pois, assim como um homem, se deseja ser treinado na sabedoria deste mundo, se encontrará incapaz de obtê-la de outro modo senão pelo aprendizado dos dogmas dos filósofos, assim também todos nós que desejamos praticar a piedade nos encontraremos incapazes de aprendê-la em qualquer outro lugar que não os oráculos de Deus. Qualquer coisa, pois, que as Escrituras Sagradas declaram, essas demos atenção; e o que elas ensinam, essas aprendamos. E como o Pai deseja que nossa fé seja, creiamos; e como Ele deseja que o Filho seja glorificado, glorifiquemos; e como Ele deseja que o Espírito Santo seja concedido, o recebamos. Não de acordo com nossa vontade, nem de acordo com nossa mente, nem ainda usando forçadamente coisas dadas por Deus, mas mesmo como Ele escolheu ensiná-las por meio das Escrituras Sagradas, assim devemos discerni-las” (Contra a heresia de Noeto, 9)


“Que mais eu vos ensino além do que leio no apóstolo? Pois a Escritura Sagrada fixa a regra para a nossa doutrina, a menos que ousemos ser mais sábios do que devemos. … Portanto, não devo ensinar-vos qualquer outra coisa, a não ser expor-vos as palavras do Mestre.” (Agostinho, De bono viduitatis, 2)

“Não devo forçar a autoridade de Nicéia contra vós, nem vós a do Arianismo contra mim; não reconheço um, assim como vós não reconheceis o outro; cheguemos, pois, a um consenso que é comum a nós ambos — o testemunho das Sagradas Escrituras.” (Agostinho, “To Maximin the Arian”)

“Não ouçamos: Isto eu digo, isto vós dizeis; mas, assim diz o Senhor. Certamente são os livros do Senhor, em cuja autoridade ambos concordamos e nos quais ambos cremos. Busquemos a igreja, lá discutiremos o nosso caso. (Agostinho, De unitate ecclesiae, 3)

“Deixemos que sejam removidas de nosso meio as coisas que citamos uns contra os outros, não com apoio nos livros canônicos divinos, mas de outras fontes quaisquer. Talvez alguém possa perguntar: Por que desejais remover essas coisas do vosso meio? Porque não queremos a santa igreja aprovada por documentos humanos, mas sim pelos oráculos divinos.” (Agostinho, De unitate ecclesiae, 3)

“Seja o que for que possam apresentar, e de qualquer [fonte] que possam citar, procuremos, se somos suas ovelhas, ouvir a voz do nosso Pastor. Portanto, busquemos para a igreja as sagradas Escrituras canônicas.” (Agostinho, De unitate ecclesiae, 3)

“Nem ouse alguém concordar com bispos católicos, se por acaso eles errarem em alguma coisa, resultando que sua opinião seja contra as Escrituras canônicas (Agostinho, De unitate ecclesiae, 3)

“Se alguém pregar, seja com referência a Cristo ou à sua igreja, ou a qualquer outro assunto que se refira à nossa fé e vida, não direi se nós, mas sim o que Paulo acrescenta: se um anjo vindo do céu pregar qualquer coisa além do que recebestes pela Escritura sobre a Lei e os Evangelhos, que seja anátema.” (Agostinho, Contra Litteras Petiliani, Livro 3, cap. 6.)

“Deveis notar e reter particularmente em vossa memória que Deus quis lançar um firme fundamento nas Escrituras contra erros traiçoeiros, um fundamento contra o qual ninguém, que de algum modo fosse considerado cristão, ousasse falar. Porquanto, quando ele se ofereceu ao povo para que o tocasse, isso não o satisfez, exceto se ele também confirmasse o coração dos crentes com base
nas Escrituras, pois ele anteviu que o tempo chegaria em que não haveria coisa alguma a tocar, porém teria alguma coisa a ler.” (Agostinho, In Epistolam Johannis tractus, 2.)

“Porém, uma vez que a Escritura Sagrada é, sobre todas as coisas, a mais suficiente para nós, e por isso recomendando-a àqueles que desejam conhecer mais dessas questões, para lerem a palavra divina, apresso-me agora a expor diante de vós aquilo que mais exige atenção, e por causa da qual principalmente escrevi essas coisas.” (Atanásio, Ad Episcopos AEgyptia)

“Amado em Cristo, permite que esta seja nossa contribuição a ti, ainda que valendo-nos de um resumo rudimentar de pouca extensão, sobre a fé em Cristo e em seu divino aparecimento. Servindo-te de tal oportunidade, se compreenderes o texto das Escrituras, aplicando-lhes com eficácia sua mente, aprenderás por meio delas, mais completa e claramente, os exatos pormenores do que temos dito. Pois eles foram escritos por Deus, por meio de homens que falaram por ele.” (Atanásio, De Incarnatione Verbi Dei, 56)

“Inutilmente então eles correram de um lado para outro com o pretexto de que requereram aos concílios com relação à fé; pois a Escritura divina é suficiente acima de todas as coisas; porém, se um concilio é insuficiente nesse ponto, há as posições dos pais, pois os bispos nicenos não negligenciaram essa questão, mas afirmaram as doutrinas tão exatamente que as pessoas, lendo suas palavras honestamente, não podem deixar de ser lembradas por eles da religião relacionada a Cristo e anunciada na Escritura divina.” (Atanásio, De Synodis, 6)

 
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