A feminilização da Igreja

Em Julho de 2000, aconteceu a Assembléia Nacional das Mulheres Presbiterianas, em Kentucky, Estados Unidos. Neste evento, com mais de 6.000 mulheres participantes, houve, em muitos momentos a pregação fiel da Palavra, porém, a reunião também serviu de palco para apresentação de tendências teológicas muito estranhas. A figura acima, por exemplo, é a foto de um poster que estava sendo vendido na entrada da Assembléia de nome “Woman on the Cross” (Mulher na Cruz). Outro poster (ao lado) trazia a “Blessing in the name of Christa” (Bênção no nome de Crista”. Uma reivindicação do “Voices of Sophia”, movimento feminista da Presbyterian Church of United States of America (PCUSA), defendendo a igualdade de gênero até nas pessoas da Trindade. O “Voices of Sophia” http://www.voicesofsophia.wordpress.com está intimamente ligado ao “More Light Presbyterians”, movimento homossexual que atua na PCUSA http://www.mlp.org/.

Pela graça de Deus, estas aberrações ainda não chegaram à Igreja Presbiteriana do Brasil. As mulheres de nossas Sociedades Auxiliadoras Femininas, espalhadas pelo país, são piedosas e tementes a Deus. Realizam um trabalho exemplar, sem necessitarem de ordenação pastoral. Aliás, nem querem, porque são fiéis à Palavra de Deus.

Todavia, há uma transformação ocorrendo em nossas igrejas. A feminilização de algumas áreas.

Na Liderança

Tem crescido pelo Brasil o número de pastoras, bispas e presbíteras. O aumento deste número não se deve a mais conhecimento bíblico do que tiveram nossos pais, mas sim ao argumento sociológico. Com o crescimento das oportunidades para as mulheres na sociedade, logo chegaram os defensores de que o ministério também deveria abrir oportunidades para as irmãs, mesmo sendo a Bíblia tão clara quanto a esta proibição.
Enquanto isso, na sociedade de uma forma geral, não são poucos os lares que têm na mulher o seu forte referencial. Maridos acuados, omissos e sem atuação no lar são encontrados em barracos, casas e mansões. Os reflexos deste comportamento na igreja são imediatos. É cada vez mais frequente o jargão “As mulheres fazem um excelente trabalho aqui na igreja, já os homens…”
Essa tendência da sociedade, repletida na igreja, faz com que a maioria dos cargos das igrejas sejam ocupados por mulheres. Assim, temos uma situação preocupante. Muitas vezes a fonte de ensino bíblico de um garoto, em casa, é uma mulher, a mãe, e, ao chegar na igreja, também serão mulheres que o ensinarão na Escola Dominical. Conclusão: Igreja é coisa de mulher.

Na Adoração

A adoração também tem sido feminilizada. Atingindo muito mais a emoção do que a razão, os cânticos atuais são bem próprios para atingir as mulheres, mas deixam uma lacuna grande na carência racional que o homem tem. Observe letras como “me derramar, dizer que te amo”, “tu és formoso”, “sentar no seu colo”, etc… Letras românticas para expressar adoração a Cristo, que não é namorado, mas Senhor.

Esta moda romântica já foi denunciada no livro de Michael Horton “A Face de Deus”. O autor mostra ali a influência do gnosticismo em hinos e cânticos individualistas e que valorizam a experiência ao invés do conhecimento. Esta deturpação tem ocorrido em muitas letras cantadas nas igrejas. Despreza-se a transcendência de Deus, isto é, o fato de ele ser Deus, superior às criaturas, majestoso e sublime, e supervaloriza-se a imanência, com frases como “quero tocar-te”, “quero sentir teu calor”, “beijar tua face”. Faz-se uma caricatura de Deus, que é tanto transcendente quanto imanente.

É urgente, portanto, que as igrejas atentem para o que estão cantando. Jesus Cristo é Deus, não namorado. É preciso resgatar as letras que exaltam a majestade de Deus, sua santidade, a obra redentora do Filho e a gloriosa esperança do porvir.

Concluindo, precisamos rever esta situação, a começar do resgate de uma adoração mais racional que emocional e do comprometimento de homens que ocupem os cargos de liderança da Igreja. Seria muito importante que homens fossem professores de Escola Dominical, ensinando crianças e adolescentes. Os pequeninos precisam de referenciais masculinos de fé.

Assim, erguei-vos homens! Cristo quer-vos de pé!

17 comments on “A feminilização da Igreja”

  1. Wendell Lessa Responder

    Caríssimo Rev. Ageu.

    Excelente reflexão.

    Gostaria de sugerir apenas pensar acerca da dicotomia racional/emocional como característica de homem/mulher respectivamente. Acho que a tese do A. Hoekema é bem pertinente, entendendo o ser humano como o homem todo, dotado tanto de razão quanto de emoção eqüitativamente. Portanto, homens e mulheres devem refletir equilíbrio nestas faculdades.

    Deste modo, a racionalidade do culto – que entendo ser não uma racionalidade pura, como a cartesiana, mas o logikon, ou seja, o agir com reflexão e sabedoria – é para todo ser humano, homem e mulher, visando a compreensão da própria emoção, sem dicotomizá-la, mas gerando um entendimento total do que é o homem segundo a imagem de Deus.

    Aproveitei para indicá-lo no meu blog.

    Abração!
    Wendell.

  2. Juci Responder

    Ola Rev
    Cheguei aqui pelo Blog da Norma e achei bem interessante a sua colocacao sobre “adoracao romântica”. Nao sou nenhuma estudiosa em teologia, por isso meu comentário e feio na posicão de uma simples ovelha que faz parte do grande rebanho. Muitas são as ministracões sobre a Igreja como a “noiva” de Cristo. O Senhor é sim o Deus Todo Poderoso, vestido de gloria e poder, mas se existe a noiva, tudo me leva a crer que exista o noivo também. E esse relacionamento é baseado em amor. E no meu ponto de vista, amor é uma emocão que a razão não se explica. Por isso eu particularmente não acho que a “adoracao romantica” seja um problema, e sim a expressão de uma “intimidade” com Deus.

    Mas o senhor me fez parar e pensar na adoracao no ponto de vista masculino. Onde muitos homens tem dificuldades pra dizer eu te amo para as proprias esposas, para as mães, etc. Não deve ser facil ter que chegar na igreja e “ser meloso” com Deus.

    Agora, essa tendencia dos Estados Unidos é de arrepiar os cabelos. Na minha ignorancia como cristã, nunca ouvi falar que Deus tem sexo, mas ao mesmo tempo eu cresci espiritualmente me relacionando com Deus como sendo uma “figura” paterna.

    Um abraco,
    Juci

  3. Rev. Ageu Magalhães Responder

    Prezada irmã Juci. Mesmo sendo a igreja a noiva, observe as formas de adoração que encontramos na Bíblia, nos Salmos e em Apocalipse, por exemplo. Nestes textos a intimidade nunca é feita a despeito da reverência. Creio que, em nossos dias, temos desprezado isso. No fundo, o que tem ocorrido é um ressurgimento do gnosticismo em nossos dias. Indico à irmã o excelente livro sobre adoração, escrito por Michael Horton, “A Face de Deus”, da Editora Cultura Cristã.

    Obrigado por escrever.

    Abraço,
    Ageu.

  4. Cangussu Responder

    Caro Rev. Ageu

    Excelente texto. Um tanto aborrecedor aos feministas de plantão (incluo aqui homens e mulheres), porém muito claro quanto aquilo que Deus estabeleceu.

    E pra mim o mais interessante foi que acordei pensando no assunto, entrei no orkut e achei seu blog.

    Mais uma vez, excelente trabalho.

    Abraço,

    Thiago Cangussu

  5. João Pedro Responder

    Olá, rev. Ageu!
    Como calouro no JMC, fico maravilhado com o conhecimento e capacidade de escrever dos nossos professores! Se Deus nos agraciasse com pelo menos metade dessa capacidade (ou, quem sabe, uma “porção dobrada” rs), isso seria por demais útil ao nosso ministério!

    Muito bom o blog e seus artigos; tornou-se parada obrigatória pra quem deseja uma reflexão de fato norteada pelas Escrituras!

    Parabéns mais uma vez!

  6. Alexandre Ribeiro Lessa Responder

    Rev. Ageu,

    Achei o tema de seu post muito interessante. Levou-me a procurar um tempo entre as muitas leituras obrigatórias exigidas pelos cursos que estou fazendo para raciocinar sobre isto.
    Em breve, se Deus quiser, devo comentar algo a respeito no meu blog – indexreformado.blogspot.com

    Abraço!
    Alexandre Lessa

  7. Anderson Responder

    Pastor, parabéns pelo blog.
    Vejo que o senhor não se preocupa em ser “politicamente correto”. E está certo. Essa nova onda tem feito muita gente adaptar o evangelho a fim de que ele fique um pouco mais agradável ao homem deste século.
    Fique na Paz.
    gracasomente.blogspot.com

  8. Claudia Responder

    Caro revendo Ageu…
    Vendo seu blog pude me deparar, o mais grave e deprimente tipo de preconceito. O senhor fala que devemos ficar firmes contra o feminismo exagerado. Olha só o seu machismo, exagerado. Sua forma puritana de pensar, fundamentalista.
    Não vê as diferenças no texto bíblico. Não vê as mulheres com respeito… Procura estudar melhor o apóstolo Paulo. Procure ver o que ele realmente fala… Um pensamento ultrapassado. Preconceituoso(isso dá até processo) segregar o gênero feminino, é complicado…
    Não sou feminista, mas vejo que aos olhos de Deus somos filhos sem hierarquia…
    Estou chocada.

    Claudia

  9. Rev. Ageu Magalhães Responder

    Prezada irmã Cláudia, creio que no post eu não me fiz entender claramente.

    Eu não defendo o machismo, nem o feminismo. O que tento denunciar no meu escrito é a crise de masculinidade que assola o mundo. Os homens tem se omitido em seus papéis e as mulheres têm tido uma sobrecarga injusta. Na maioria das casas de nosso país a mulher trabalha fora, faz o serviço de casa, educa os filhos, toma as decisões mais importantes com relação à família, enquanto o seu marido está sentado no sofa controlando a televisão. Isso, com toda a certeza, não é o ideal divino para a família. Eu não estou sozinho nesta crítica. Muitos pastores tem pregado o retorno das responsabilidades do homem na família e na sociedade. Adquira, por exemplo, os livros: “A Família da Aliança”, de Harriet e Van Groningen e “O silêncio de Adão” de Larry Crabb. Leia também o post de Norma Braga, chamado “Virilidade”. A irmã vai desfazer o mau entendido. Um forte abraço, Ageu.

  10. Dilsilei Monteiro Responder

    Prezado Rev. Ageu,
    Saudações fraternas.

    Gostei muito de sua reflexão e alerta. Creio que é sem dúvida oportuno para nossa agenda teológica atual.
    Algo importante para se pensar é que estamos imersos na discussão da agenda gay e pouco, ou quase nada, precoupados em nossas igrejas com o avanço do feminismo. É comum em igrejas presbiterianas e históricas que ainda não admitiram a ordenação feminina admitir as mulheres nos púlpitos de cultos solenas, algo que é bastante contraditório em termos dos argumentos de cada lado da discussão da ordenação feminina. Mas o que quero chamar a atenção é o fato de que a mesma hermenêutica que propugnou e ainda alavanca a ordenação feminina, sustenta a reboque a ordenação homossexual. O mesmo viés hermeneutico, historicamente, primeiro trouxe um para depois trazer o outro. Assim é que a hermenêutica das minorias, da qual faz parte a hermenêutica feminista, traz tanto um quanto outro dano à Igreja. Por isso, penso que nessa profusão de alertas e discussões sobre a PL 122 também se observe o quão avançadas estão as implantações de minas explosivas do feminismo e relativismo hermenêutico consequente em nossas comunidades.
    Um abraço fraterno, na Paz do Redentor,

    Dilsilei Monteiro
    Brasília – DF.

  11. Renato Responder

    Desde quando, por sermos filhos e filhas, a Igreja deixou de ter hierarquias? a Bíblia mostra hierarquias entre o povo de Deus, sem deixar sombra para dúvidas, quer no antigo ou novo Testamento.

    Considero o movimento feminista um mal a ser combatido pela igreja, pois desde seu início teve como principais objetivos a misandria, mias direitos para mulheres, porém menos deveres e idolatria da imagem feminina, como é possível ver no início que começou não apenas como movimento político, social e cultural, mas também como uma reforma religiosa; prova disso estão emtestemunhos de ex-feministas e na perseguição que o feminismo semrpe faz a igreja e suas doutrinas.

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